quarta-feira, 8 de março de 2017


A PEDRA FUNDAMENTAL


 


Blitz. Você não soube me amar. EMI-Odeon, 1982.



Em 1982 o rock mostrava sua cara para o público brasileiro, cansado de notícias sobre a crise econômica, desemprego, inflação e dívida externa.

Oriunda do teatro, a Blitz conquistou rapidamente os meios de comunicação de massa quando lançou o compacto com a música Você não soube me amar, no lado A, e no lado B também. O que ficou conhecido na época como o compacto de apenas um lado, profetizando o surgimento do CD, anos mais tarde.

Com sua linguagem da malandragem carioca e sua apresentação cênica, a Blitz, formada por Evandro Mesquita (voz e guitarra), Fernanda Abreu (backing vocal), Marcia Bulcão (backing vocal), Ricardo Barreto (guitarra), Antônio Pedro Fortuna (baixo), William "Billy" Forghieri (teclados) e Lobão (bateria), estourou nas paradas e o disquinho vendeu mais de cem mil cópias, o que rendeu, ainda em 1982, um contrato para o lançamento de um LP.

Antes disso, porém, ainda em 1981, Júlio Barroso e sua Gang 90, já haviam subido ao palco do Festival MPB-Shell 81, defendendo a música Perdidos na selva, introduzindo a new wave no cenário nacional. Mas nada seria como antes, depois do surgimento da Blitz e seu compacto de uma música só.

Com o sucesso da banda, surgiram centenas de outros grupos, tentando pegar carona e abrindo espaço para o que se convencionou chamar BRock.

Ouça a faixa Você não soube me amar da Blitz em https://youtu.be/EfIolf1ujqw

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017


DA NEW WAVE AO PÓS-PUNK.





METRÔ. A mão de Mao. Epic, 1987.


No início da década de 1980, a banda Metrô surgiu com grande sucesso, graças aos hits Beat acelerado, Tudo pode mudar, Sândalo de dândi e Tititi. Essa última abria a novela global de mesmo nome.

Figura frequente no Cassino do Chacrinha, o sucesso subiu à cabeça da vocalista Virginie, que resolveu largar a banda e partir em carreira solo.

A banda reformulada, agora com o português Pedro d'Orey no vocal, lança em 1987, o  seu segundo disco, A mão de Mao, em uma guinada de 180 graus, abandonando as canções new wave da primeira fase e adentrando de uma vez no cenário rock and roll.

O crítico musical Luís Antônio Giron, rasgava-se em elogios à época do lançamento. “Nas nove faixas deste LP [...], o rock nacional galga um quarto patamar estético [...] em que o jazz se soma ao rock progressivo. O metrô de linhas tímidas desabou. Viva o Metrô.”[1], derretia-se.

Infelizmente, com a crise econômica do período, e a fraca recepção do público quanto à mudança de linha sonora do grupo, o LP não conseguiu um bom volume de vendas, o que acarretou a dissolução da banda em 1988.

A banda se reuniria em 2001, com a volta de Virginie nos vocais, no movimento de revival dos anos 80.

Ouça a faixa Gato preto em nosso canal: https://youtu.be/cxbhHooHT-8


O DISCO:
1.    A mão de Mao **
2.     Habhitantes   **
3.    Cinema branco  **
4.    Atlântico, 7 de novembro ***
5.    Boca  **
6.    Gato preto  ***
7.    Ahnimais (Wiss) **
8.    The red player (Idiot love) **
9.    Lágrimas imóveis **


A BANDA:

Pedro d’Orey – vocais

Dany Roland – bateria

Alec Haiat – guitarras

Yann Laouenan – teclado

Xavier Leblanc - baixo



[1] GIRON, L. A. A mão de Mao. Bizz, São Paulo, n. 23, p. 24, jun. 1987.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017


PUNKS DE BUTIQUE.



TOKYO. Humanos. Epic, 1985.

A banda Tokyo foi uma das maiores piadas que o BRock conseguiu produzir nos  anos 1980. Um bando de mauricinhos com nenhum compromisso social, metidos a astros do rock. Supla, o líder dos mancebos, filho de Eduardo e Marta Suplicy, era uma cópia mal feita e rabiscada de seu ídolo, Billy Idol.

Mas mesmo assim, nos primórdios do BRock, conseguiram lançar seu primeiro LP em 1985, intitulado Humanos, título da faixa de seu maior sucesso. O disco continha também Garota de Berlim, com a participação da cantora germânica Nina Hagen, uma das estrelas do Rock in Rio de 1985.

O disco é tosco, com canções pop, mas faz parte da história do rock brasileiro dos anos 80. O melhor momento é a faixa que Supla divide os vocais com Cauby Peixoto, em Romântica.

Quando Gilberto Gil lançou Punk da periferia, em 1983, causou a fúria dos punks. A banda Tokyo fazia pose de punk, mas era new wave total. Por isso foram chamados, na época, de “punks de butique”.

A banda lançaria mais um LP em 1987, que como não vendeu bem, jogou uma pá de cal em cima da carreira da banda. Supla seguiria carreira solo e se transformaria nessa figura folclórica do rock que nós conhecemos.

TRACK BY TRACK

Lado A

1.       Eu sou triste **

2.       Intenções **

3.       Garota de Berlim ***

4.       O tal poder *

5.       Roupa X *

Lado B

1.       Humanos ***

2.       Mão direita ***

3.       Romântica ***

4.       Programado *

5.       Estações *



A BANDA:

Supla (vocal, guitarra base)

Andrés Etchenique (baixo e backing vocals)

Eduardo Bidlovski "Bidi" (guitarra solo e backing vocals)

Conde (guitarra)

Marcelo Zarvos (teclado)

Rocco Bidlovski (bateria, percussão e backing vocals)



Ouça Humanos, com Tokyo em https://youtu.be/qyMehnMws3U

sábado, 4 de fevereiro de 2017


LUGAR NENHUM.



PLEBE Rude. Nunca fomos tão brasileiros. EMI-Odeon, 1987.

Em 1987, após o fracasso do Plano Cruzado, criado pelo presidente José Sarney, o Brasil estava novamente no olho do furacão de mais uma crise econômica, com desemprego e inflação de três dígitos.

A banda brasiliense, Plebe Rude, no ano anterior, tinha vendido 200 mil cópias de seu disco O concreto já rachou, mas isso já era outro Brasil. Nunca mais em sua história, venderiam tantos discos assim.

Nunca fomos tão brasileiros chegou mais raivoso ainda. O país sentia-se traído pelo governo. Sarney tinha empossado as donas de casa como suas fiscais, para o controle dos preços congelados, e logo após as eleições para governador de estado e deputados, autorizou o descongelamento dos preços, levando para as alturas as tarifas de energia elétrica e gasolina, e tudo o que se seguia.

Os militares haviam saído de cena, e as velhas raposas haviam tomado conta do galinheiro.

Nunca fomos tão brasileiros é testemunha ocular dessa cena particular da história do Brasil.



TRACK BY TRACK

  1. Bravo Mundo Novo **
  2. Nova Era Techno   **
  3. 48  **
  4. Não Tema  **
  5. Censura ***
  6. Nada  **
  7. Nunca Fomos Tão Brasileiros **
  8. A Ida  ***
  9. Consumo ***
  10. Códigos **
  11. Mentiras Por Enquanto  **



A BANDA:

Philippe Seabra – Guitarra e voz;

Gutje – Bateria;

André X – Guitarra e voz;

Jander Bilaphra – Baixo.



Ouça a faixa Censura em nosso canal do Youtube: https://youtu.be/mECjZGbYj_4

Leia mais sobre o caos do governo democrático em www.historianaolinear.blogspot.com.br


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

PRA ONDE VAI O MUNDO?





OS REPLICANTES. O futuro é vortex. RCA. 1986.

Surgida em Porto Alegre, em 1983, a banda Replicantes é o maior nome do punk-rock do início do BRock gaúcho. Seu nome foi inspirado no filme Blade Runner (1982) de Ridley Scott, com Harrison Ford e Sean Young, onde havia uma disputa entre os humanos e um grupo de androides chamados replicantes.

A banda fez a sua primeira apresentação em 16 de maio de 1984, no Bar Ocidente, em Porto Alegre, para logo após gravarem um compacto contendo Nicotina, Rockstar, O futuro é vortex e Surfista calhorda. Esta última se tornou seu maior sucesso.

O compacto vendeu duas mil cópias e permitiu que Os Replicantes fossem convidados para participarem das coletâneas Rock Garagem e Rock Grande do Sul (já publicada pelo Hail Rock).

Após a participação nas coletâneas lançaram seu primeiro disco, O futuro é vortex, pela RCA, despontando como os primeiros ícones do punk-rock gaúcho.



Lado A

1. "Boy do Subterrâneo"   (Carlos Gerbase, Heron Heinz) **

2. "Surfista Calhorda"   (Carlos, Heron) ***

3. "Hippie-Punk-Rajneesh"   (Carlos, Heron) **

4. "One Player"   Carlos, (Cláudio Heinz) **

5. "A Verdadeira Corrida Espacial"   (Carlos, Cláudio) 2:24 ***

6. "O Futuro é Vortex"   (Carlos, Heron) **



Lado B

1. "Choque"   (Carlos, Heron) **

2. "Ele Quer Ser Punk"   (Carlos, Cláudio) **

3. "Motel da Esquina"   (Cláudio) **

4. "Mulher Enrustida"   (Cláudio, Heron) **

5. "Hardcore"   (Carlos, Heron) *

6. "O Banco"   (Heron, Luciana Tomasi) **

7. "Censor"   (Carlos, Heron) **

8. "Porque Não"   (Carlos, Cláudio, Heron) **



A banda:

Wander Wildner (vocal)

Cláudio Heinz (guitarra)

Heron Heinz (baixo)

Carlos Gerbase (bateria)



Ouça a faixa A verdadeira corrida espacial, com Os Relicantes em nosso canal YouTube em https://youtu.be/tYuWRJPzbAg

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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017


BOLACHA FINA



FINIS AFRICAE. Finis africae. EMI-Odeon. 1987.



Nem só de Legião Urbana e Capital Inicial viveu o rock de Brasília, mas também de Finis Africae, nome inspirado no livro O nome da rosa, de Umberto Eco.

A banda lançou um Extended Play (EP) em 1985 pelo selo independente Sebo do Disco, mas somente quando foi contratada pela EMI, que já tinha em seu catálogo a banda de Renato Russo e a turma de Herbert Vianna, alcançou relativissimo sucesso.

O disco lançado em 1987, na ressaca econômica do Plano Cruzado II, trazia um rock sofisticado, de muito bom gosto, associado a uma cozinha funk, com temática gótica, o que aqui no Brasil ficou sendo conhecido como “dark”.

A banda trazia influências de Joy Division e Bauhaus, com clima deprê e guitarras fortes.

É difícil, inclusive, escolher uma única faixa entre tantas canções de responsa.



TRACK BY TRACK

LADO A

1.      Deus ateu **

2.      Vícios **

3.      Chiclete ***

4.      Mentiras ***

5.      A última do lado A ***

LADO B

1.      Ask the dust ***

2.      Deserto ***

3.      Armadilha ***

4.      Máquinas ***

5.      Círculos ***

A BANDA:

Eduardo Moraes – vocais

Neto Pavanelli – baixo

Ronaldo Pereira – bateria

José Flores – guitarra



Ouça Máquinas em nosso canal do Youtube: https://youtu.be/F8-bG_wvBE4



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domingo, 15 de janeiro de 2017


AO VIVO NO ESTÚDIO.



SMACK. Ao vivo no Mosh. Baratos Afins. 1985.

Se o BRock pudesse ser personificado em alguém, seria em Edgard Scandurra.
Autoditada e exímio guitarrista, além de ser canhoto, Scandurra ajudou a criar e fez parte da formação inicial de Ultraje a Rigor, Cabine C, Voluntários da Pátria, Mercenárias, Ira e Smack.

Com a última lançou Ao vivo no Mosh, que na verdade não é um disco ao vivo, apenas não tinham dinheiro para gravar sessões com overdub e fizeram “tudo de uma vez agora” no estúdio Mosh.

Sem dúvida, um dos melhores discos do BRock, infelizmente pouco conhecido, com músicas de influência mod e pós-punk.

Edgard Scandurra, nosso herói da guitarra, ainda lançaria em carreira solo, o ótimo Amigos invisíveis, o qual teremos oportunidade de digeri-lo futuramente.

Destacam-se em Ao vivo no Mosh: Fora daqui, Onde li, Desespero juvenil, além das instrumentais N.4 e Limite eternidade.

Sem dúvida, uma das jóias perdidas do BRock. Ótimo disco.

A banda:

Sérgio "Pamps" Pamplona — vocals, guitar

Thomas Pappon — drums

Sandra Coutinho — bass

Edgard Scandurra — guitar



TRACK BY TRACK

1. Fora Daqui ***

2. Onde Li ***

3. Clone **

4. Desespero Juvenil ***

5. № 4 **

6. 16 Horas e Pouco **

7. Limite Eternidade **

8. Faça umas Compras ***

9. Chance de Fuga **

10. Mediocridade Afinal **

LEGENDAS:

* Terminator 3; ** Terminator 2; ***Terminator 1.



Ouça Onde li em nosso canal do Youtube: https://youtu.be/Ub_wglVFRvo


Conheça um pouco mais sobre a obra de Luiz Felipe Pondé em http://historianaolinear.blogspot.com.br/