terça-feira, 28 de fevereiro de 2017


DA NEW WAVE AO PÓS-PUNK.





METRÔ. A mão de Mao. Epic, 1987.


No início da década de 1980, a banda Metrô surgiu com grande sucesso, graças aos hits Beat acelerado, Tudo pode mudar, Sândalo de dândi e Tititi. Essa última abria a novela global de mesmo nome.

Figura frequente no Cassino do Chacrinha, o sucesso subiu à cabeça da vocalista Virginie, que resolveu largar a banda e partir em carreira solo.

A banda reformulada, agora com o português Pedro d'Orey no vocal, lança em 1987, o  seu segundo disco, A mão de Mao, em uma guinada de 180 graus, abandonando as canções new wave da primeira fase e adentrando de uma vez no cenário rock and roll.

O crítico musical Luís Antônio Giron, rasgava-se em elogios à época do lançamento. “Nas nove faixas deste LP [...], o rock nacional galga um quarto patamar estético [...] em que o jazz se soma ao rock progressivo. O metrô de linhas tímidas desabou. Viva o Metrô.”[1], derretia-se.

Infelizmente, com a crise econômica do período, e a fraca recepção do público quanto à mudança de linha sonora do grupo, o LP não conseguiu um bom volume de vendas, o que acarretou a dissolução da banda em 1988.

A banda se reuniria em 2001, com a volta de Virginie nos vocais, no movimento de revival dos anos 80.

Ouça a faixa Gato preto em nosso canal: https://youtu.be/cxbhHooHT-8


O DISCO:
1.    A mão de Mao **
2.     Habhitantes   **
3.    Cinema branco  **
4.    Atlântico, 7 de novembro ***
5.    Boca  **
6.    Gato preto  ***
7.    Ahnimais (Wiss) **
8.    The red player (Idiot love) **
9.    Lágrimas imóveis **


A BANDA:

Pedro d’Orey – vocais

Dany Roland – bateria

Alec Haiat – guitarras

Yann Laouenan – teclado

Xavier Leblanc - baixo



[1] GIRON, L. A. A mão de Mao. Bizz, São Paulo, n. 23, p. 24, jun. 1987.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017


PUNKS DE BUTIQUE.



TOKYO. Humanos. Epic, 1985.

A banda Tokyo foi uma das maiores piadas que o BRock conseguiu produzir nos  anos 1980. Um bando de mauricinhos com nenhum compromisso social, metidos a astros do rock. Supla, o líder dos mancebos, filho de Eduardo e Marta Suplicy, era uma cópia mal feita e rabiscada de seu ídolo, Billy Idol.

Mas mesmo assim, nos primórdios do BRock, conseguiram lançar seu primeiro LP em 1985, intitulado Humanos, título da faixa de seu maior sucesso. O disco continha também Garota de Berlim, com a participação da cantora germânica Nina Hagen, uma das estrelas do Rock in Rio de 1985.

O disco é tosco, com canções pop, mas faz parte da história do rock brasileiro dos anos 80. O melhor momento é a faixa que Supla divide os vocais com Cauby Peixoto, em Romântica.

Quando Gilberto Gil lançou Punk da periferia, em 1983, causou a fúria dos punks. A banda Tokyo fazia pose de punk, mas era new wave total. Por isso foram chamados, na época, de “punks de butique”.

A banda lançaria mais um LP em 1987, que como não vendeu bem, jogou uma pá de cal em cima da carreira da banda. Supla seguiria carreira solo e se transformaria nessa figura folclórica do rock que nós conhecemos.

TRACK BY TRACK

Lado A

1.       Eu sou triste **

2.       Intenções **

3.       Garota de Berlim ***

4.       O tal poder *

5.       Roupa X *

Lado B

1.       Humanos ***

2.       Mão direita ***

3.       Romântica ***

4.       Programado *

5.       Estações *



A BANDA:

Supla (vocal, guitarra base)

Andrés Etchenique (baixo e backing vocals)

Eduardo Bidlovski "Bidi" (guitarra solo e backing vocals)

Conde (guitarra)

Marcelo Zarvos (teclado)

Rocco Bidlovski (bateria, percussão e backing vocals)



Ouça Humanos, com Tokyo em https://youtu.be/qyMehnMws3U

sábado, 4 de fevereiro de 2017


LUGAR NENHUM.



PLEBE Rude. Nunca fomos tão brasileiros. EMI-Odeon, 1987.

Em 1987, após o fracasso do Plano Cruzado, criado pelo presidente José Sarney, o Brasil estava novamente no olho do furacão de mais uma crise econômica, com desemprego e inflação de três dígitos.

A banda brasiliense, Plebe Rude, no ano anterior, tinha vendido 200 mil cópias de seu disco O concreto já rachou, mas isso já era outro Brasil. Nunca mais em sua história, venderiam tantos discos assim.

Nunca fomos tão brasileiros chegou mais raivoso ainda. O país sentia-se traído pelo governo. Sarney tinha empossado as donas de casa como suas fiscais, para o controle dos preços congelados, e logo após as eleições para governador de estado e deputados, autorizou o descongelamento dos preços, levando para as alturas as tarifas de energia elétrica e gasolina, e tudo o que se seguia.

Os militares haviam saído de cena, e as velhas raposas haviam tomado conta do galinheiro.

Nunca fomos tão brasileiros é testemunha ocular dessa cena particular da história do Brasil.



TRACK BY TRACK

  1. Bravo Mundo Novo **
  2. Nova Era Techno   **
  3. 48  **
  4. Não Tema  **
  5. Censura ***
  6. Nada  **
  7. Nunca Fomos Tão Brasileiros **
  8. A Ida  ***
  9. Consumo ***
  10. Códigos **
  11. Mentiras Por Enquanto  **



A BANDA:

Philippe Seabra – Guitarra e voz;

Gutje – Bateria;

André X – Guitarra e voz;

Jander Bilaphra – Baixo.



Ouça a faixa Censura em nosso canal do Youtube: https://youtu.be/mECjZGbYj_4

Leia mais sobre o caos do governo democrático em www.historianaolinear.blogspot.com.br