ROCK VOADOR
VÁRIOS. Rock voador. WEA, 1982.
Podemos
dividir o período da explosão do rock brasileiro na década de 1980 em três
fases: a primeira inicia-se em 1982, com o lançamento do compacto da Blitz, e
vai até 1985, com o surgimento de algumas bandas no rastro da turma de Evandro
Mesquita.
Em
janeiro de 1985, o Rock in Rio, abriria a segunda fase do Brock e as portas do
país para as grandes bandas do cenário mundial, impelindo as bandas nacionais a
atingirem o padrão e a profissionalização internacional, abandonando de vez o
amadorismo. Essa fase segue com o lançamento de várias bandas talentosas e
consagra outras tantas, culminando com o declínio do rock por parte da mídia
(televisão e rádio) que começa a dar espaço para os sertanejos, por volta de
1989, coincidentemente ou não com a ascensão de Fernando Collor.
O rock só deu certo
enquanto rendia dividendos para as gravadoras, claro.
Em
1982, após o estouro de vendas da Blitz,
as gravadoras procuravam novas bandas para lançarem discos e lucrarem em cima
da nova onda que ressurgia.
Por
essa época, a Fluminense FM, do Rio de Janeiro, já exibia a alcunha de
rádio-rock, e colocava no lugar as gravações em fita K7 das bandas de garagem
que começavam a surgir, com um certo sucesso.
Além
disso, o Circo Voador, local onde
surgiu a Blitz, estava sempre disposto a abrir suas portas para as novas bandas
que se iniciavam no caminho em busca do sucesso e da fama.
A gravadora
Warner aproveitou a situação, e em conjunto com o Circo Voador e a Fluminense
FM lançou ainda em 1982 o album Rock
voador, com seis promessas do novo rock brasileiro.
Entre
essas promessas, encontrava-se uma banda chamada Kid Abelha & os abóboras
selvagens, formada por Leoni e sua namorada, Paula Toller, que participaram do
albúm com duas faixas: Distração e Vida de Cão é Chato pra Cachorro.
Fora a participação do Kid Abelha, o que observamos
é uma seleção de grupos que não se alimentam da mesma fonte que faria surgir o
rock dos anos 1980, resultado do punk inglês, que deu origem ao pós-punk e a
new wave, e logo após, o gótico (ou dark).
Nenhuma das outras atrações presentes no albúm Rock voador soa assim. A maioria tem o
som das décadas anteriores, e o resultado disso é que só o Kid Abelha viria a
ser uma estrela na constelação do rock nacional dos anos 1980.
TRACK BY TRACK
1."Brilhar a Minha
Estrela" Sangue da Cidade **
Levada reggae.
Percussão típica. O que um reggae faz aqui??
2."Distração" Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens ***
O Kid Abelha dizia a
que vinha. Primórdios da new wave no Brasil.
3."Saio do
Ar" Malu Vianna **
Mistura de A Cor do
Som com banda Metrô.
4."Brilho na
Noite" Blues Boy **
Celso Blues Boy, o
afilhado de BB King. O rei do blues brasileiro.
5."Numa Noite
Qualquer" Papel de Mil **
Rock no estilo Jovem
Guarda, anos 60. Poderia ficar muito bem na voz de Jerry Adriany.
6."Grão da
Poeira" Maurício Mello &
Companhia Mágica **
Rock anos 70, lembra
os Secos & Molhados com bateria do Kiss. Boa levada.
7."Vê se Me
Esquece" Malu Vianna **
Aqui Malu Vianna se
aventura em um blues também a la Celso
Blues Boy.
8."Novo
Amor" Papel de Mil *
Horrível, brega. Só
salva a gaita no final.
9."Tenho Que
Viver" Maurício Mello &
Companhia Mágica *
10."Vida de Cão é
Chato pra Cachorro" Kid Abelha
& Os Abóboras Selvagens **
New wave com Jazz. A
versão canina para História de uma gata
(Nós gatos já nascemos pobres...).
11."Caminhando" Blues Boy **
Rhythm and blues do
velho cachorrão.
12."Feito
Louco" Sangue Da Cidade *
Sem palavras.
LEGENDA DAS NOTAS:
* Sônia Braga em
Aquarius; ** Sônia Braga em Tieta do Agreste; *** Sônia Braga em Gabriela.
Ouça Distração com Kid
Abelha & os abóboras selvagens em nosso canal do YouTube.
Acesse https://historianaolinear.blogspot.com.br
e saiba mais sobre a sexualidade na Grécia antiga.

Sem comentários:
Enviar um comentário