segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

ROCK VOADOR




VÁRIOS. Rock voador. WEA, 1982.

Podemos dividir o período da explosão do rock brasileiro na década de 1980 em três fases: a primeira inicia-se em 1982, com o lançamento do compacto da Blitz, e vai até 1985, com o surgimento de algumas bandas no rastro da turma de Evandro Mesquita.
Em janeiro de 1985, o Rock in Rio, abriria a segunda fase do Brock e as portas do país para as grandes bandas do cenário mundial, impelindo as bandas nacionais a atingirem o padrão e a profissionalização internacional, abandonando de vez o amadorismo. Essa fase segue com o lançamento de várias bandas talentosas e consagra outras tantas, culminando com o declínio do rock por parte da mídia (televisão e rádio) que começa a dar espaço para os sertanejos, por volta de 1989, coincidentemente ou não com a ascensão de Fernando Collor.
O rock só deu certo enquanto rendia dividendos para as gravadoras, claro.
Em 1982, após o estouro de vendas da Blitz, as gravadoras procuravam novas bandas para lançarem discos e lucrarem em cima da nova onda que ressurgia.
Por essa época, a Fluminense FM, do Rio de Janeiro, já exibia a alcunha de rádio-rock, e colocava no lugar as gravações em fita K7 das bandas de garagem que começavam a surgir, com um certo sucesso.
Além disso, o Circo Voador, local onde surgiu a Blitz, estava sempre disposto a abrir suas portas para as novas bandas que se iniciavam no caminho em busca do sucesso e da fama.
A gravadora Warner aproveitou a situação, e em conjunto com o Circo Voador e a Fluminense FM lançou ainda em 1982 o album Rock voador, com seis promessas do novo rock brasileiro.
Entre essas promessas, encontrava-se uma banda chamada Kid Abelha & os abóboras selvagens, formada por Leoni e sua namorada, Paula Toller, que participaram do albúm com duas faixas: Distração e Vida de Cão é Chato pra Cachorro.
Fora a participação do Kid Abelha, o que observamos é uma seleção de grupos que não se alimentam da mesma fonte que faria surgir o rock dos anos 1980, resultado do punk inglês, que deu origem ao pós-punk e a new wave, e logo após, o gótico (ou dark).
Nenhuma das outras atrações presentes no albúm Rock voador soa assim. A maioria tem o som das décadas anteriores, e o resultado disso é que só o Kid Abelha viria a ser uma estrela na constelação do rock nacional dos anos 1980.


TRACK BY TRACK

1."Brilhar a Minha Estrela"  Sangue da Cidade **
Levada reggae. Percussão típica. O que um reggae faz aqui??
2."Distração"  Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens ***
O Kid Abelha dizia a que vinha. Primórdios da new wave no Brasil.
3."Saio do Ar"  Malu Vianna **
Mistura de A Cor do Som com banda Metrô.
4."Brilho na Noite"  Blues Boy **
Celso Blues Boy, o afilhado de BB King. O rei do blues brasileiro.
5."Numa Noite Qualquer"  Papel de Mil **
Rock no estilo Jovem Guarda, anos 60. Poderia ficar muito bem na voz de Jerry Adriany.
6."Grão da Poeira"  Maurício Mello & Companhia Mágica **
Rock anos 70, lembra os Secos & Molhados com bateria do Kiss. Boa levada.
7."Vê se Me Esquece"  Malu Vianna **
Aqui Malu Vianna se aventura em um blues também a la Celso Blues Boy.
8."Novo Amor"  Papel de Mil *
Horrível, brega. Só salva a gaita no final.
9."Tenho Que Viver"  Maurício Mello & Companhia Mágica *
10."Vida de Cão é Chato pra Cachorro"  Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens **
New wave com Jazz. A versão canina para História de uma gata (Nós gatos já nascemos pobres...).
11."Caminhando"  Blues Boy **
Rhythm and blues do velho cachorrão.
12."Feito Louco"  Sangue Da Cidade *
Sem palavras.

LEGENDA DAS NOTAS:
* Sônia Braga em Aquarius; ** Sônia Braga em Tieta do Agreste; *** Sônia Braga em Gabriela.

Ouça Distração com Kid Abelha & os abóboras selvagens em nosso canal do YouTube.


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