POLITICAMENTE (IN)CORRETO
ULTRAJE A RIGOR. Sexo! WEA, 1987.
Segundo
disco do Ultraje a Rigor, sucessor de Nós
vamos invadir sua praia (1985), Sexo
só veio ao mundo dois anos depois do sucesso de seu antecessor. Recheado de
canções de cunho sexista (para horror das feministas), com uma produção bem
superior ao seu primeiro disco, Sexo
é um retrato de seu tempo.
O
lançamento do disco aconteceu no dia 19 de março, em cima da marquise do Shopping
Top Center, na Avenida Paulista, em pleno meio-dia.[1] Na época do lançamento o
disco foi classificado como “sexo não explícito numa festa rock ‘n’ roll sem
drogas”.[2]
O
disco abre com Eu gosto é de mulher
(por aí você já adivinha o que vem pela frente), que tem versos como “Vou te
contar o que me faz andar, se não é por mulher não saio nem do lugar”, ou “Se
eu fico sem mulher eu fico até doente, mulher que lava roupa, mulher que guia
carro, mulher que tira a roupa, mulher pra tirar sarro”. A faixa clama,
inclusive, por uma mulher para a presidência da República, o que viria a
acontecer em 2010 com a eleição de Dilma Roussef.
A
faixa Sexo fala, entre outras coisas,
sobre a censura, ainda vigente até então. Em seus versos: “Hoje vai passar um
filme na TV que eu já vi no cinema. Mutilaram o filme, cortaram uma cena [...].
Corri pro quarto, acendi a luz, olhei no espelho. O meu tava lá. Ainda bem que
eu não tô na TV, senão ia ter que cortar...”.
Pelado
foi tema de abertura da novela global Brega
& Chique, sendo exaustivamente executada nas rádios naquele ano, e
atacava “Indecente é você ter que ficar despido de cultura. Daí não tem jeito
quando a coisa fica dura. Sem roupa, sem saúde, sem casa, tudo é tão imoral”. E
declarava “A barriga pelada é que é a vergonha nacional”.
Terceiro
é uma divertida canção que trata do que ficou conhecido como o complexo de
vira-lata do brasileiro. “Marcando passo vou seguindo sem ser muito ligeiro, com
cuidado pra não ser o primeiro. É bonito, eu imito mas o podium não é pra mim
(Eu não sou a fim!) [...]. De qualquer forma eu pego um bronze porque eu gosto
da cor. Por isso eu sempre sou terceiro [...]”.
Destaque
também para a faixa A festa. A canção
era uma “homenagem” ao vocalista da banda RPM, Paulo Ricardo[3], que no ano anterior havia
vendido mais de dois milhões de cópias e ditado novas posturas para o mundo do
rock. Nas palavras de Roger “Ela gostou do meu jeito de falar, dando um
gemidinho. Se amarrou no meu olhar e no meu beicinho [...] Mas, quem eu vou ser
quando a festa acabar?”.
A
faixa Prisioneiro teve sua execução
proibida pelas rádios.
Faixas:
Lado
A
1.
Eu gosto de mulher (Roger Moreira)
2.
Dênis, o que você quer ser quando crescer? (Roger Moreira)
3.
Terceiro (Roger Moreira)
4.
A Festa (Roger Moreira)
5.
Prisioneiro (Maurício/ Roger Moreira)
Lado
B
1.
Sexo! (Maurício/ Roger Moreira)
2.
Pelado (Roger Moreira)
3.
Ponto de Ônibus (Maurício/ Roger Moreira)
4.
Maximillian Sheldon (Roger Moreira)
5.
Will Robinson e seus robots (Edgar Scandurra/ Leospa/ Maurício/ Roger Moreira)
Roger
Moreira: guitarra base, flauta na faixa 6 e voz
Sérgio
Serra: guitarra solo nas faixas 6, 7 e 8 e vocais
Maurício
Defendi: baixo, guitarra na faixa 7 e vocais
Leospa:
bateria e vocais
Produzido
por Liminha.
Ouça o álbum completo em: https://youtu.be/w3SH5EQT3bc






