domingo, 26 de agosto de 2018


POLITICAMENTE (IN)CORRETO

ULTRAJE A RIGOR. Sexo! WEA, 1987.



Segundo disco do Ultraje a Rigor, sucessor de Nós vamos invadir sua praia (1985), Sexo só veio ao mundo dois anos depois do sucesso de seu antecessor. Recheado de canções de cunho sexista (para horror das feministas), com uma produção bem superior ao seu primeiro disco, Sexo é um retrato de seu tempo.
O lançamento do disco aconteceu no dia 19 de março, em cima da marquise do Shopping Top Center, na Avenida Paulista, em pleno meio-dia.[1] Na época do lançamento o disco foi classificado como “sexo não explícito numa festa rock ‘n’ roll sem drogas”.[2]
O disco abre com Eu gosto é de mulher (por aí você já adivinha o que vem pela frente), que tem versos como “Vou te contar o que me faz andar, se não é por mulher não saio nem do lugar”, ou “Se eu fico sem mulher eu fico até doente, mulher que lava roupa, mulher que guia carro, mulher que tira a roupa, mulher pra tirar sarro”. A faixa clama, inclusive, por uma mulher para a presidência da República, o que viria a acontecer em 2010 com a eleição de Dilma Roussef.
A faixa Sexo fala, entre outras coisas, sobre a censura, ainda vigente até então. Em seus versos: “Hoje vai passar um filme na TV que eu já vi no cinema. Mutilaram o filme, cortaram uma cena [...]. Corri pro quarto, acendi a luz, olhei no espelho. O meu tava lá. Ainda bem que eu não tô na TV, senão ia ter que cortar...”.
Pelado foi tema de abertura da novela global Brega & Chique, sendo exaustivamente executada nas rádios naquele ano, e atacava “Indecente é você ter que ficar despido de cultura. Daí não tem jeito quando a coisa fica dura. Sem roupa, sem saúde, sem casa, tudo é tão imoral”. E declarava “A barriga pelada é que é a vergonha nacional”.
Terceiro é uma divertida canção que trata do que ficou conhecido como o complexo de vira-lata do brasileiro. “Marcando passo vou seguindo sem ser muito ligeiro, com cuidado pra não ser o primeiro. É bonito, eu imito mas o podium não é pra mim (Eu não sou a fim!) [...]. De qualquer forma eu pego um bronze porque eu gosto da cor. Por isso eu sempre sou terceiro [...]”.
Destaque também para a faixa A festa. A canção era uma “homenagem” ao vocalista da banda RPM, Paulo Ricardo[3], que no ano anterior havia vendido mais de dois milhões de cópias e ditado novas posturas para o mundo do rock. Nas palavras de Roger “Ela gostou do meu jeito de falar, dando um gemidinho. Se amarrou no meu olhar e no meu beicinho [...] Mas, quem eu vou ser quando a festa acabar?”.
A faixa Prisioneiro teve sua execução proibida pelas rádios.

Faixas:
Lado A
1. Eu gosto de mulher (Roger Moreira)
2. Dênis, o que você quer ser quando crescer? (Roger Moreira)
3. Terceiro (Roger Moreira)
4. A Festa (Roger Moreira)
5. Prisioneiro (Maurício/ Roger Moreira)

Lado B
1. Sexo! (Maurício/ Roger Moreira)
2. Pelado (Roger Moreira)
3. Ponto de Ônibus (Maurício/ Roger Moreira)
4. Maximillian Sheldon (Roger Moreira)
5. Will Robinson e seus robots (Edgar Scandurra/ Leospa/ Maurício/ Roger Moreira)

Roger Moreira: guitarra base, flauta na faixa 6 e voz
Sérgio Serra: guitarra solo nas faixas 6, 7 e 8 e vocais
Maurício Defendi: baixo, guitarra na faixa 7 e vocais
Leospa: bateria e vocais
Produzido por Liminha.

Ouça o álbum completo em: https://youtu.be/w3SH5EQT3bc 



[1] Bizz n. 21 , abr. 1987, p. 10.
[2] LEÃO, Tom. Bizz n. 22, maio 1987, p. 19.
[3]  ALEXANDRE, Ricardo. Dias de luta: o rock e o Brasil dos anos 80. Porto Alegre: Arquipélago, p. 308.