NO PIQUE DA GLOBO
CAMISA DE VÊNUS. Correndo o
risco. WEA, 1986.
A
banda punk Camisa de Vênus rendeu-se ao mainstream
em 1986, quando lançou o ótimo Correndo o
risco, sob a batuta de Pena Schimidt e Liminha.
A banda
já havia lançado Camisa de Vênus
(1983) pela Som Livre, e Batalhões de
estranhos (1984) pela RGE, além do melhor registro ao vivo do BRock: Viva (RGE, 1986), onde se pode ouvir a
plateia gritando bota pra foder!!
Dos
arranjos pouco elaborados dos primeiros LPs a banda passou a um amadurecimento
instrumental perceptível em Correndo o
risco.
O
disco inicia como uma verdadeira aula de história. Na voz de Marcelo Nova somos
capazes de vislumbrar o Brasil na época em que João Goulart leva uma rasteira
dos militares. O símbolo da promessa de um futuro melhor para os brasileiros é
um carro. E ele se chama Simca Chambord.
A
Igreja, claro, é atacada em duas vias. Em Mão
católica, Nova descarrega “Domingo tem a missa obrigatória / ajoelhar perante
a santa inquisição / pras bruxas temos a fogueira / pros santos nós temos o
perdão”, para logo após, em Deus me dê grana, atacar, “Logo, logo "os
homi" vão estar atrás de mim / você tá numa boa, é o dono do paraíso / Então
me empresta uns trocados, Deus, é só disso que eu preciso”.
O
disco ainda traz um versão de Ouro de tolo, de Raul Seixas, e fecha com um
arranjo inteiramente orquestrado em A
ferro e a fogo.
Correndo o risco foi
o maior sucesso de vendas do Camisa de Vênus. Um disco realmente coerente e
relevante no cenário do BRock.
Ouça
o disco em https://youtu.be/JGNX0fGB1-k

