terça-feira, 27 de fevereiro de 2018



NO PIQUE DA GLOBO



CAMISA DE VÊNUS. Correndo o risco. WEA, 1986.

A banda punk Camisa de Vênus rendeu-se ao mainstream em 1986, quando lançou o ótimo Correndo o risco, sob a batuta de Pena Schimidt e Liminha.
A banda já havia lançado Camisa de Vênus (1983) pela Som Livre, e Batalhões de estranhos (1984) pela RGE, além do melhor registro ao vivo do BRock: Viva (RGE, 1986), onde se pode ouvir a plateia gritando bota pra foder!!
Dos arranjos pouco elaborados dos primeiros LPs a banda passou a um amadurecimento instrumental perceptível em Correndo o risco.
O disco inicia como uma verdadeira aula de história. Na voz de Marcelo Nova somos capazes de vislumbrar o Brasil na época em que João Goulart leva uma rasteira dos militares. O símbolo da promessa de um futuro melhor para os brasileiros é um carro. E ele se chama Simca Chambord.
A Igreja, claro, é atacada em duas vias. Em Mão católica, Nova descarrega “Domingo tem a missa obrigatória / ajoelhar perante a santa inquisição / pras bruxas temos a fogueira / pros santos nós temos o perdão”, para logo após, em Deus me dê grana, atacar, “Logo, logo "os homi" vão estar atrás de mim / você tá numa boa, é o dono do paraíso / Então me empresta uns trocados, Deus, é só disso que eu preciso”.
O disco ainda traz um versão de Ouro de tolo, de Raul Seixas, e fecha com um arranjo inteiramente orquestrado em A ferro e a fogo.
Correndo o risco foi o maior sucesso de vendas do Camisa de Vênus. Um disco realmente coerente e relevante no cenário do BRock.

Ouça o disco em https://youtu.be/JGNX0fGB1-k


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018



UM TRIBUTO A IAN CURTIS

VARSÓVIA. Varsóvia. Ataque Frontal, 1987.


A década de 1980, para o BRock, foi de uma enorme amplitude.

Apesar de as rádios estarem dominadas pelos medalhões, como por exemplo, Legião e RPM, muitas outras bandas fervilhavam no cenário do rock underground.

Uma dessas bandas era a Varsóvia. Oriunda da região de Santo André, Grande São Paulo, o grupo trazia influências explícitas de Joy Division. Esse fato faz com que, em algumas faixas de seu primeiro LP, às vezes pareça que estamos ouvindo Echo & The Bunnymen ou Lloyd Cole & the Comottions.

A banda, formada em 1984, iniciou seus ensaios e, em 1985, realizou seus primeiros shows. Em 1986 tocaram nas principais casas de show disponíveis, como por exemplo, Rose Bom Bom e Madame Satã.

O disco, gravado em 1986, mas foi lançado em 1987, e está repleto do ambiente dark, com melodias bem construídas, que nos remetem ao pós-punk inglês do início da década de 1980.

Vale a pena conferir esse capítulo do BRock.
A BANDA:
Fábio Gasparini (vocal); Célio Yamamura (guitarras); Hamilton Donã (baixo); Roberto Amadeu (bateria).

O DISCO:
LADO A: 1- Pra todo o sempre; 2- Após as luzes; 3- Razões; 4- Noites; 5- Nosso fim.
LADO B: 1- Continuar; 2- Ian; 3- Iguais; 4- Viagens; 5- No front.  

Ouça o disco do Varsóvia em https://youtu.be/1G8JeKyMVoc